Cristo unigênito
...!?
A questão que o
título destas linhas enfrentará não é propriamente a questão de ser o filho de
Deus, originário de Maria e adotivo de José, uma concepção real ou não, nas
questões relativas a divindade ou unicidade da concepção divina feita homem,
mas o propósito único e exclusivo é tratar a figura do quanto esta figura do
Cristo Filho único, trouxe de influência ao mundo contemporâneo, e, como
incorreções de interpretações das acepções do momento trouxeram imperfeições
aos relacionamentos familiares e sociais, com profundas injustiças que não
foram e não são o objeto da prédica de Cristo.
Esmiuçando o tema,
temos que Cristo influencia o mundo ocidental, até o oriental, quando da
necessidade de expansão, trazendo consigo ideias novas aos relacionamentos,
que, no primeiro momento tiveram a relação direta entre a prédica, necessidade
de atenção do ouvinte e a correlação com a figura do filho único necessitando
de fatores motivacionais momentâneos que não servem para o momento presente,
porém se mantém por falta de análise mais aprofundada das questões atinentes a
como o filho único poderia ser ouvido e atendido naquela sociedade em relação
ao tempo presente.
Em verdade, o filho
único do Cristo, foi gerado em ambiente de perseguição e disputa de classes
sociais, dominante em relação a dominada, tendo este a inclusão nesta camada
social. Acrescido do fato de que pessoas daquele tempo faziam previsões da
chegada do Messias, teve o Cristo duas importantes situações sociológicas em
seu desfavor, além do fato de ser Filho Único, ter que se fugir da perseguição,
passando a ser educado e formando como refugiado, tal como ocorre com os Sírios
hoje, e, imensos genocídios, principalmente contra crianças de sua faixa etária,
o que deve ter elevado o preconceito de seus concidadãos, de sua existência.
Seus parentes, que
conheciam a origem do Cristo, tiveram vidas de filhos ceifadas, por conta da
ignorância de líderes com medo de perder as benesses de seus atributos de
poder, o que não é diferente de hoje, em relação a líderes políticos. O que vem
ao caso, é que se, nos dias de hoje, minha irmã foge para não ter a vida de seu
filho ceifada, que é justo, mas meu filho é assassinado por conta da
perseguição contra minha irmã, óbvio será que não verei meu sobrinho com bons
olhos, e, isto fez com que Cristo contasse com adversidade a mais, de seus
parentes.
A luz da perseguição
de líderes políticos com a inveja a raiva de parentes, Cristo precisava se
sobressair, ir as ovelhas perdidas, porque as que não estavam perdidas, se
ressentiam de sua presença, “quem é minha mãe, quem são meus irmãos” diria, aos
que ouviam e faziam sua vontade,
enquanto, como diria o “Padre Leo”, seus parentes, com medo de novas
perseguições e mortes por parte dos líderes políticos, foram a Maria para
conversarem com o Cristo e pedirem para este “aliviar” a flâmula do seu
discurso, para evitar que os parentes sofressem o Cristo não tinha o porquê
sofrer, tendo ausência de negócios regulares em sua localidade, não tinha
vínculos com comandos injustos, não necessidade, por este motivo, temer
atitudes contra si próprio.
Como os parentes,
por medo não o apoiavam, buscaram ter na mãe, o escudo por sua falta de
virtudes no enfrentamento das injustiças da classe dominante.
Cristo, Filho único,
passa a ter que, para convencer as pessoas, a argumentar sobre a necessidade de
quem quer o seguir que abandone sua família, para poder ganhar a vida eterna.
Precisamente esta
necessidade momentânea, se tornou a mensagem mais mal interpretada dos últimos
2000 anos da vida na terra; abandonar a família em nome da causa, criou enorme
quantidade de causas e sub causas que viveram sob o manto da primeira argumentação,
que era própria e necessária para o momento, a bem de que a força da palavra
ganhasse a força da ação no exato sentido em que era proposta.
A força desta
palavra alcançou positivamente a dimensão que imaginava e falava, pois imensas
ordens de irmãos não consanguíneos foram criadas, prestando relevantes serviços
a manutenção da vida na terra, nas frentes evolutivas e de pacificação.
A ausência, todavia,
de resultados mais expressivos quando se trata de fome, erradicação da miséria,
conflitos religiosos alcançando proporções de vitimar até quem não acredita em
religião é seguramente o efeito contrário aos interesses da palavra do Cristo.
Quando ataques de
nações criaram espólios de guerra e explorações do homem pelo homem, ataques
estes sem justificativa ou base legal, abriram-se fendas de ressentimento que
precisam ser repensadas para a retomada do curso na paz no planeta.
Ao assistirmos
episódios isolados ou conjuntos, planejados ou não de aniquilamento do homem
pelo homem, para justificar posições anteriores, atingindo inocentes nestes
novos episódios, demonstrando total descontrole, precisamos rever o quanto o
ser humano necessita ouvir, e, parar de agir sem controle ou medida de consequências,
para erradicar este ódio sem sentido algum.
Ao fazer o
enfrentamento do ódio, com imposição de políticas de guerra que não mais
atingem seus fins, posto que inimigos hoje não conhecem fronteiras para fazer o
mal, cada ato de guerra ditado de um lado, resultado em revide do outro, e,
sinceramente, nenhum lado, nem outro, podem afirmar que a segurança da
existência da vida na terra não está em risco.
Não estou de modo
algum culpando o Cristo, ou dizendo que não fez esta previsão, mas afirmo que
sua política momentânea não pode ser trazida de forma exatamente igual para os
dias de hoje, até porque o ser humano de hoje, é sem sombra de dúvidas, muito
mais conectado com o mundo e tem muito maior capacidade de movimento que
daquele tempo.
Para começarmos a
responder pelas diferenças, poderíamos começar pelo quanto é necessário
reinterpretar, por exemplo se fosse para o Cristo voltar hoje, que ambiente
encontraria e como se faria ser ouvido.
Na natureza o
distanciamento do ninho faz o crescimento para a vida, na vida viver a vida das
gerações anteriores não é a forma de buscar solver os problemas da geração
vindoura, são problemas diversos, com soluções diversas.
Mas a família do
Cristo tem a mesma forma de concepção e gestão do Cristo de ontem para o de
hoje? A resposta é sem dúvida negativa, logo o Cristo buscaria outra forma de
se fazer ouvido, principalmente para demonstrar como é necessário garantir a
paz na terra, se livrando de concepções frenéticas ou transversas a boa
convivência entre seres humanos.
Mas como passaria o
Cristo que antes motivava a carregava milhares ao seu discurso, para os dias de
hoje, em que praças de discursos são alimentadas pelo ódio e destruição.
A paz a qualquer
custo é discurso de hoje, nem que para isto, se matem milhares ou milhões de
guerra ou de fome.
Este discurso sem
sentido e idiota já não pode mais ganhar o púlpito, entidades que passaram a
entrar no descrédito porque defendem situações de injustiça precisam se
reinventar, olhar não só para dentro como o cenário externo, pedir desculpas
por seus erros, apresentar propostas viáveis e dignas de crença, executando com
fidelidade suas obrigações, atingindo seus propósitos, tornando de todos,
indistintamente, o compromisso de atingir paz social e desenvolvimento
sustentado a todos os viventes na terra, sem exceção.
Pode parecer muito
pouco a fazer para executar o plano de mudar a situação da vida na terra, e,
alguns, até podem dizer que, quem manda, em nada mudará, pois digo, ou mudam os
comandantes de atitude buscando estes objetivos, ou logo, logo, o ódio passara
de controlável a controlável, e, de nada adiantará ter acumulado milhões ou
bilhões se a vida na terra se tornar palco de guerra sem fim.
Noto por fim que sou
avesso a guerra, somente acredito, pelo visto com os que lucram com ela não
pensam, é que, com a ausência de controle desta disputa insana, não haverá como
garantir que alvos que comprometem a vida na terra não serão atingidos, por
isto, sentem todos em seus banquinhos e
só saiam de lá quando a paz em definitivo estiver garantida, chega de guerra,
destruição e injustiça, tenham a certeza que a terra não aguenta e não tardará
a sair da sua inércia gritando por harmonia em sua casa, pois, com certeza, é o
que o Cristo unigênito ou não quer e, se estivesse aqui agora, provaria a todos
não haver outra alternativa, logo não resistamos mais ao óbvio – Paz e Justiça
Social na Terra Já!!!
Helio Barreto